sexta-feira, 23 de julho de 2010

Gosto das idéias de Frei Betto... tive oportunidade de encontrá-lo por algumas vezes e ele me iluminou com sua riqueza de pensamentos...

Religião e Espiritualidade
Frei Betto *

Texto retirado do site da Adital

A espiritualidade é, como a sexualidade, uma dimensão constitutiva do ser humano. Essa potencialidade neurobiológica pode ou não ser cultivada. Uma pessoa desprovida de espiritualidade prescinde da percepção da profundência de sua subjetividade. Nela os desejos prevalecem sobre os ideais.

Se Sócrates e Descartes nos despertaram para a inteligência racional; Colleman, para a emocional; foi a física e filósofa Danah Zohar que chamou a atenção para a inteligência espiritual. Maria Corbi sugere que a espiritualidade se resume em IDS: Interesse (por ela); Desapego (de si e dos bens finitos); Silenciamento (concentrar-se para descentrar-se no Outro e nos outros).

À primeira vista, espiritualidade opõe-se à materialidade. E o espírito ao corpo. Esse dualismo platônico está superado, tanto pela ciência quanto pela teologia. Somos todos e tudo uma Unidade. Os mesmos 92 átomos encontrados em nosso corpo são os "tijolos" que edificam o conjunto do Universo.

A espiritualidade prescinde das religiões, pode ser vivida sem elas, e há religiões desprovidas de espiritualidade, asfixiadas pelo peso do doutrinarismo autoritário. Sócrates (470 a.C.-399 a.C.) e Sêneca (4 a.C.-65 d.C.) eram homens profundamente espiritualizados, "santos pagãos", embora destituídos de religião.

As religiões surgiram no período neolítico, quando o ser humano, até então nômade e coletor, fixou-se na atividade agrícola, tornando-se sedentário. Seu ponto axial foi o século VII a.C. Nele nasceram e/ou viveram Buda (600), Lao-Tsé (604) Zaratustra (660) e os profetas Jeremias e Daniel.

A religião, como instituição, surge naquela época. Antes, predominava a cosmovisão tribal, comunitária, voltada a aplacar a ira dos deuses e obter proteção diante das catástrofes naturais, sem individuação do sujeito frente à divindade. Só a partir do século VII a.C. o ser humano passa a ter consciência de sua relação pessoal com Deus.

A religião surge como forma de controle da sociedade agropastoril e seus grandes relatos disciplinam o caos ético, ao mesmo tempo que interioriza o poder da autoridade.

Hoje, o que está em crise não é a espiritualidade. São as formas tradicionais de religião. Nesse mundo secularizado, desencantado, os valores são substituídos pelas ciências; o ser pelo ter; o ideal pelo desejo; o altruísmo pelo consumismo. Assim, a religião reflui para a vida privada e os locais de culto. E deixa de influir na vida social.

No interior das próprias Igrejas cria-se a dicotomia: fiéis se distanciam da doutrina e da moral oficiais, como é o caso do uso de preservativos por católicos. Como nas relações de trabalho, ocorre uma flexibilização institucional da crença. Ela se constitui num amálgama de propostas, formando um mosaico esotérico.

A crise da Cristandade, no Renascimento, não significou a crise do cristianismo. Da mesma forma, a crise das religiões não pode ser confundida com a da espiritualidade. Agora nos deparamos com uma espiritualidade pós-axial, laica, pós-religiosa, centrada na autonomia do indivíduo.

O que caracteriza essa espiritualidade pós-moderna é, de um lado, a busca, não do outro, mas de si, da tranqüilidade espiritual, da paz do coração. Nesse sentido, trata-se de uma espiritualidade egocêntrica, centrada no próprio ego. De outro, uma espiritualidade política, voltada à promoção da justiça e da paz, comprometida com a ética e a proteção do meio ambiente.

Vale retomar o esquema Corbi: hoje, uma espiritualidade evangélica deve ter clareza de seus objetivos. O meu próprio bem-estar subjetivo ou também uma sociedade fundada na justiça? Deve propiciar o desapego aos bens finitos, como mercadorias, poder, dinheiro, fama, de modo a favorecer o cultivo dos bens infinitos: amizade, solidariedade, compaixão. E, sobretudo, fundar-se no silenciamento, na abertura dialógica, orante, a Deus; na atitude servidora aos outros; na reverência devocional à natureza.

[Autor de "Sinfonia Universal - a cosmovisão de Teilhard de Chardin" (Ática), entre outros livros.
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* Escritor e assessor de movimentos sociais



segunda-feira, 19 de julho de 2010



Não estrague o seu dia

Chico Xavier / André Luiz


A sua irritação não solucionará problema algum.
As suas contrariedades
não alteram a natureza das coisas.
Os seus desapontamentos


não fazem o trabalho
que só o tempo consegue realizar.


O seu mau humor não modifica a vida.
A sua dor não impedirá que o Sol brilhe amanhã
sobre os bons e os maus.


A sua tristeza não iluminará os caminhos.
O seu desânimo não edificará a ninguém.


As suas lágrimas não substituem o suor
que você deve verter em benefício
da sua própria felicidade.


As suas reclamações, ainda mesmo afetivas,
jamais acrescentarão nos outros
um só grama de simpatia por você.


Não estrague o seu dia.


Aprenda, com a Sabedoria Divina,
a desculpar infinitamente,
construindo e reconstruindo
sempre para o Infinito Bem.





Final de tarde a gente vai tranqüilamente ver o sol se por... Beijos suaves de luz nas ondas macias que alcançam a areia... Ah... que delícia!


Bom, meu desejo é passar as férias nesta praia... relaxando e lendo um pouco... depois mergulhando com o Sidarta e vendo a Mara "pegar sol", com a pela vermelha como um camarão... enquanto não dá a gente vai pela net!




Espiritualidade é a o forma como encaramos a Vida e o quanto percebemos a conexão oculta das coisas entre si... tudo está interligado e todos somos interdependentes...

Sabe, a Vida é um mistério pulsante! Vamos descobrindo-A e descortinando-nos a cada novo momento que aparece em nossa frente...
Vale viver reconhecendo nossos limites e fazendo escolhas em todos os momentos...

Alguns vão dizer que você é fraco, pobre e inseguro... talvez, em parte, tenham razão... no entanto a sua grandeza e beleza, encanto e brilho é íntimo e pessoal...

Se fizer sentido pra você experimente a VIDA por meio da ORAÇÃO... cante a relação com o Divino e o Transcendente e silencie somente, permitindo que o som da paz e a melodia da harmonia explore seu universo psíquico! A única coisa que nos resta: SEJA SI MESMO!


sexta-feira, 9 de julho de 2010

Amigos, aqui cito uma abordagem científica cada vez mais comum em nossos meios acadêmicos, e que tenta abortar ciência de religião... um esforço antigo, de separar estas áreas, no entanto, no meu ponto de vista antiquado! Explico-me: estamos na era da informação e da religação de saberes! Mais que dividir áreas e afirmar que este é o domínio da ciência e aquele o da religião, devemos perceber a complexidade da realidade da vida humana e do cosmos e buscar INTEGRAR OS SABERES E CONHECIMENTOS PARA INTERPRETAR MELHOR A VIDA, sabendo dos limites de nossas conjecturas e idéias. No entanto, afirmar que o desconhecido só poderá ser explicado pelo método experimental, é um erro. Acredito na liberdade de pensar, na força da filosofia, da história das ciências, na história das idéias religiosas e entendo como um avanço a confrontação das visões de mundo.

Também estou afirmando isto por que acredito que o Universo possui uma lógica oculta... o que vcs acham?





Livro de Marcelo Gleiser tenta tirar


resquícios de religião da ciência



'Criação imperfeita' desmistifica a ideia de que há ordem sob o Universo.
Físico brasileiro defende que devemos celebrar as imperfeições da natureza.

Iberê ThenórioDo G1, em São Paulo

Criação Imperfeita - Marcelo Gleiser

'Criação Imperfeita', de Marcelo Gleiser, tenta
desmistificar a ideia de que há uma 'teoria
final' que governa o Universo.

Uma das cenas mais marcantes do cinema é momento em que o personagem Neo, no filme Matrix, começa a entender as regras que regem o Universo e passa a ver o mundo como um punhado de números e letras que interagem entre si.

Desde a Grécia Antiga, cientistas e filósofos vêm buscando algo parecido com isso: uma regra básica que possa explicar o funcionamento de tudo. Nessa jornada, já foram descobertos os átomos e a Via Láctea, mas nunca se chegou a uma resposta racional sobre a razão de ser do Universo.

Para um dos maiores nomes da ciência brasileira, o físico Marcelo Gleiser, deve-se parar de procurar essa fórmula secreta, que ele chama de "código oculto da natureza" ou "teoria final".

Em seu novo livro, "Criação Imperfeita", Gleiser argumenta que a crença de pesquisadores de que exista algum sentido oculto no Universo é uma contaminação da religião sobre a ciência, um ato de fé incompatível com a racionalidade.

Ele afirma que a natureza tem nos mostrado o contrário: suas leis são complexas, seus elementos são irregulares, assimétricos, e a vida na forma como conhecemos só surgiu devido a uma série de acontecimentos cósmicos que culminaram em um planeta habitável, com água no estado líquido e uma atmosfera protetora das radiações mortais que circulam pelo espaço.

"Eu quero mostrar ao leitor que esse mito de que o mundo é perfeito, de que a natureza é uma obra divina, tem que cair", afirmou o autor em entrevista ao G1.

Estou propondo um jeito diferente de pensar sobre a natureza e o nosso lugar no mundo."
Marcelo Gleiser

Para chegar a essa conclusão, Gleiser viaja pela história da astronomia e mostra desde experiências de Nicolau Copérnico – que derrubou a ideia de que a Terra era o centro do Universo – até a noção de matéria escura – um tipo especial de matéria invisível responsável pelo movimento das galáxias.

"Sentido" da vida
Apesar de arrasar a ideia de que exista um sentido oculto no Universo, Gleiser propõe um "sentido" para a vida baseado na descrença, na ideia de que a beleza está na imperfeição.

Analisando uma série de probabilidades, o físico argumenta que a vida é algo muito raro em um ambiente cósmico extremamente hostil. Exatamente por isso nossa existência deveria ser valorizada. Também por isso, Gleiser diz que o homem deveria dar mais valor ao seu planeta, até agora o único oásis de vida conhecido pela ciência.

Confira, abaixo, alguns trechos da conversa que o G1 teve por telefone com Marcelo Gleiser:

G1 - O que é o tal "código oculto da natureza", usado no subtítulo do seu livro?

Marcelo Gleiser - É a noção de que existe um segredo por trás das coisas. Há várias buscas pelo código secreto da natureza. Você pode falar disso de uma forma religiosa, científica, filosófica. No caso da ciência, seria você acreditar, primeiro, que existe uma espécie de fórmula secreta que consegue explicar tudo o que existe no mundo, do mais simples ao mais complexo. Segundo, é preciso acreditar que a gente seja capaz de alcançar esse conhecimento. São dois atos de fé bastante intensos.

G1 - O livro se chama "Criação imperfeita", mas ao longo da obra são dados vários exemplos de dogmas religiosos (como o de que a terra é seria centro do Universo) que foram vencidos por descobertas científicas. Por que usar o termo "Criação"?

Marcelo Gleiser - É um modo de trazer a atenção do leitor para o fato de que eu estou falando sobre o que existe no mundo. Eu penso em Criação, com "C" maiúsculo, no sentido que as pessoas religiosas têm por obra de Deus, tudo o que existe no Universo. Talvez seja um pouco de sarcasmo chamar Criação – o que é uma coisa que por definição é perfeita, sendo obra de Deus – de imperfeita. Mas a ideia é justamente essa. Eu quero mostrar ao leitor que esse mito que a gente tem de que o mundo é perfeito, de que a natureza é uma obra divina, tem que cair.

G1 - Em certo momento, você diz que tememos a assimetria (na ciência, na estética etc.) porque ela revelaria a ausência de Deus. No final do livro, você defende a beleza da assimetria. Indiretamente, é uma defesa da ausência de Deus?

Marcelo Gleiser - Exatamente. A gente não gosta da assimetria porque, se a natureza é assimétrica, como a gente pode justificá-la sendo uma obra de Deus? Esse é um argumento que teologicamente é meio simplista, mas tudo bem. Eu não sou teólogo. A ideia aqui é mostrar que é só olhar para o mundo que a gente vê que o mundo, de perfeito, não tem nada. A natureza, a diversidade toda que existe no mundo desde a física das partículas elementares até o fato de que o rosto humano ser assimétrico, e por isso é mais belo, para mim isso é que é importante. É um livro bastante iconoclasta, nesse sentido. Eu estou propondo um jeito diferente de pensar sobre a natureza e sobre o nosso lugar no mundo.

G1 - A procura pela "teoria final" sempre foi uma boa motivação para novas descobertas. Desistir disso não vai "esfriar" a busca por conhecimento nas áreas mais fronteiriças da ciência?

Marcelo Gleiser - Pode-se continuar buscando. Eu não tenho nada contra procurar por teorias unificadas que tentam descrever como as várias forças da natureza podem se comportar de uma maneira única a altas energias. O problema é achar que existe uma explicação final das coisas, que existe uma "teoria final". Isso para mim é mais religião do que ciência.